A Mostra

Nascida no Vietnã, residente nos Estados Unidos, com filmes realizados em países tão diversos e distantes como China, Japão, Senegal, Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Togo, Benin e Vietnã, Trinh T. Minh-ha é uma cineasta nômade, que faz do viajar o seu lugar de residência – “partir é uma forma de voltar para casa”, afirma. Crítica arguta das certezas que amparam a razão ocidental, ela defende que, antes de chegar a algum lugar, é preciso expandir a travessia, a passagem. A cineasta, que é uma das principais responsáveis por renovar a prática do documentário no cinema contemporâneo, foi homenageada em uma retrospectiva inédita e integral de seus trabalhos e veio ao Brasil para acompanhar a mostra e falar sobre seu trabalho.

Exibimos 10 filmes, a maioria em película, desde Remontagem, obra realizada em 1982, no Senegal, até Passagem da noite, de 2004, filme que se apropria da tecnologia digital para inventar novas formas de fabricação fílmica. Entre os destaques da mostra está o premiado Espaços descobertos – Viver é circular (1985), que estabelece relações potentes entre alguns povos africanos e suas cosmologias particulares, e Sobrenome Viet nome próprio Nam (1989), que aborda questões históricas em torno das mulheres vietnamitas. A programação incluiu também curtas compostos para instalações em galerias artísticas, além de diversas sessões comentadas, mesa redonda, e uma master class ministrada por Trinh T. Minh-ha sobre os seus processos de criação.

Artista multifuncional, Trinh T. Minh-ha é, além de cineasta, compositora, escritora, poeta e professora. Com um olhar fortemente voltado para questões de gênero, política cultural e pós-colonialismo, seus filmes são experimentos instigantes que desafiam, por meio de construções dotadas de grande rigor estético, as abordagens convencionais da etnografia e do documentário. Há também as obras propriamente ficcionais (Um conto de amor, Passagem noturna), marcadas por construções formais híbridas, inventivas, capazes de fundar novos modos de sensibilidade. De um modo geral, seus filmes propiciam reflexões importantes sobre as identidades e diferenças dos vários povos ou culturas mostrados. Ademais, há especial atenção às mulheres, refletida na convocação de questões caras ao feminismo e no registro poético-ensaístico de elementos familiares ou domésticos.

Os trabalhos de Minh-ha receberam diversos prêmios internacionais importantes, como o International Trailblazers Award do Festival de Cannes. Mesmo assim, sua obra, reconhecida ao redor do mundo, quase não circulou no Brasil. Nesse sentido, a mostra proporcionou aos espectadores um contato inédito, acompanhado de um esforço conjunto de reflexão crítica por meio do catálogo, dos debates, e da presença da própria cineasta.

Vinheta

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Ficha Técnica

Realização: Amarillo Produções Audiovisuais

Curadoria e Organização do catálogo: Carla Maia e Luís Felipe Flores

Coordenação geral e Produção de cópias: Lygia Santos

Produção executiva: Tatiana Mitre

Produção local:Emanuela Pinheiro

Projeto gráfico: Luísa Rabello

Tradução de textos para catálogo: Tatiana Monassa

Revisão de textos para catálogo: Textecer

Autoração de cópias digitais e Legendagem eletrônica: Frames

Tradução de legenda: LISA/USP, Marie Paes

Revisão de legendas: Luís Felipe Flores

Revisão de cópias: Cristina Mendonça

Assessoria de imprensa: Cláudia Oliveira

Mídias sociais: Mariana Garcia

Registro fotográfico: Luisa Macedo

Registro videográfico: Álvaro Andrade

Vinheta: Raquel Junqueira

Tradução juramentada: Luisa Lima

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